Cúrcuma: possibilidades terapêuticas

Identificação botânica: Curcuma longa L.

Nomes populares: Açafrão, açafrão da terra, açafroa, açafrão da Índia, cúrcuma, gengibre amarelo, mangarataia, turmérico.


A Curcuma longa L., também conhecida como Açafrão da terra, é uma planta aromática de origem asiática, facilmente cultivada no Brasil e em países tropicais.

Ela se popularizou em nosso país através de seu uso condimentar (ou seja, como corante alimentar e tempero), e, ultimamente, vem sido conhecida por suas finalidades medicinais. Na Índia e China, a Cúrcuma é utilizada há muitos anos como fitoterápico.

A parte da planta utilizada para uso terapêutico são os rizomas (é a estrutura que se ramifica horizontalmente no nível subterrâneo, no caso da Cúrcuma).

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Rizomas de Cúrcuma, colhidos em nosso jardim fitoterápico

 

Utilização da Cúrcuma na Fitoterapia

A Cúrcuma, na fitoterapia, pode ser utilizada por uso interno, nas formas de decocção (fervida em água para fazer chá), tintura hidroalcóolica, extratos secos ou fluidos, e em uso externo, na forma de pó para emplasto ou decocção para banho ou compressa.

 

Usos terapêuticos da Cúrcuma

  • colerético (estimulante da secreção da bílis): por esse efeito, pode ser indicada para tratamento de prisão de ventre e auxiliar a digestão
  • estimulante do apetite
  • antiflatulento (evita a formação de gases intestinais)
  • vermífugo
  • antiespasmódico (tratamento de cólicas)
  • redução dos níveis de colesterol e glicose
  • anti-inflamatório (pode ser utilizada para tratamento das dores de garganta causadas por inflamação, além de vários outros tipos de inflamação, como a artrite, por exemplo)
  • antiagregante plaquetário
  • antisséptico
  • antidiarreico
  • hepatoprotetor (proteção do fígado)
  • antioxidante (prevenção de câncer e outras doenças)
  • estimulante do sistema imunológico (aumenta a resposta das nossas células de defesa contra invasores, como vírus, bactérias e fungos). Por ser também imunomoduladora, a Cúrcuma previne reações alérgicas, como asma, por exemplo.

 

Contraindicações da Cúrcuma

Como várias plantas medicinais, a Cúrcuma não traz somente vários benefícios para nossa saúde. Ela também tem contraindicações.

A Cúrcuma não é indicada para:

  • portadores de úlcera gastroduodenal
  • crianças menores de 4 anos
  • gestantes
  • lactantes
  • durante a tentativa de concepção.

 

Precauções

Portadores de cálculos biliares e obstrução dos ductos biliares devem utilizar a Cúrcuma apenas com orientação profissional (a planta auxilia no tratamento de cálculos biliares, mas deve ser utilizada com cautela nesses casos).

O uso em excesso pode causar enjoo, irritação gástrica e toxicidade. Há a possibilidade de interação química com medicamentos anticoagulantes e alguns quimioterápicos.

Antes de iniciar um tratamento com plantas medicinais, oriente-se com um profissional da saúde que tenha capacitação em Fitoterapia. O profissional pode lhe dizer se dá pra associar essa ou outra planta a algum medicamento ou, até mesmo, a outra planta medicinal.

 

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Cúrcuma desidratada.

 

Usos da Cúrcuma na alimentação

Respeitando as contraindicações da Cúrcuma, é possível utilizar essa planta também na alimentação, como suplementação nutricional e prevenção de doenças.

Podemos utilizar o pó da erva ou mesmo fragmentos dela em sua forma fresca nos alimentos, preferencialmente após o cozimento.

A Cúrcuma também pode ser associada à Pimenta, Gengibre ou azeite de Oliva, para ter maior absorção no organismo.

Outra forma de utilização é adicionar os rizomas em sucos ou fazer chás (decocção), seguindo a maneira correta de preparo e tendo cautela em relação à superdosagem.

 

Condições de cultivo e armazenamento

Para garantir os efeitos medicinais de qualquer planta, é necessário utilizar uma que tenha passado por boas condições de cultivo e secagem.

Geralmente, encontramos em mercados o pó da Cúrcuma, armazenado em embalagens transparentes, e desidratado em luz solar direta (é uma maneira muito comum de secagem dessa planta); esses fatores, no entanto, podem causar a perda dos ativos terapêuticos.

Verifique as condições de cultivo (como exposição à contaminação e uso de agrotóxicos), secagem e armazenamento das plantas, antes de utilizá-las para finalidades medicinais. Falamos um pouco sobre isso neste post.

 

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Mudas de Cúrcuma

 

Utilização da Cúrcuma na Aromaterapia

Os óleos voláteis ou óleos essenciais, que raramente são encontrados em angiospermas monocotiledôneas, estão presentes nos rizomas da Cúrcuma. Na aromaterapia, o óleo essencial extraído dessa planta é conhecido pelo nome de Turmérico.

Algumas de suas indicações terapêuticas são:

  • estomáquica (estimulante do apetite)
  • colagoga e carminativa (combate à formação de gases intestinais)
  • antioxidante
  • anti-histamínica
  • antimicrobiana (para bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e também para alguns fungos e germes envolvidos em colecistites)
  • citotóxica (para células de linfomas)
  • inibição da neurotoxina do veneno de jararaca (Bothrops jararaca)
  • diminuição do efeito letal causado pelo veneno de cascavel (Crotalus durissus terrificus).

 

Precauções

Altas doses do óleo essencial de Cúrcuma podem causar neurotoxicidade e aborto.

Os óleos essenciais raramente podem ser ingeridos ou utilizados puros sobre a pele. Esse tipo de administração deve ser feita apenas sob a orientação de um profissional aromaterapeuta.

 

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Rizomas de Cúrcuma com brotos, no momento do plantio.

 

Princípios ativos da Curcuma longa L.

Pigmentos fenólicos (bisferulyol-metano): curcumina e seus isômeros.

Sesquiterpenos: turmerona. E ainda α e β-pineno, canfeno, limoneno, terpineno, cariofileno, linalol, borneol, cineol, polissacarídos e glicídeos (RIBEIRO; DINIZ).

Outro princípio ativo encontrado: zingibereno.

 

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Plantio de Cúrcumas.

 

Bibliografia

CORAZZA, Sônia. Aromacologia: uma ciência de muitos cheiros. Editora Senac. São Paulo, 2002.

FIGUEIRA, L. W. Efeito do extrato de Curcuma longa L. sobre infecções in vitro por Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e Candida albicans em macrófagos murinos. Dissertação (Mestrado em Biopatologia bucal). Pós graduação em Biopatologia bucal – Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Ciência e Tecnologia, São José dos Campos, 2017.

GRANDI, Telma Sueli Mesquita. Tratado das plantas medicinais mineiras, nativas e cultivadas. Belo Horizonte: Adaequatio Estúdio. 2014.

LASZLO, Fabian. Óleos essenciais e seus usos. Belo Horizonte: Laszlo aromaterapia. 2010.

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2ª ed. Nova Odessa (SP): Instituto Plantarum. 2008.

MATOS. Francisco José de Abreu. Farmácias vivas: sistema de utilização de plantas medicinais projetado para pequenas comunidades. 4ª ed. Fortaleza: editora UFC. 2002.
PERES, et al. Propriedades funcionais da Cúrcuma na suplementação nutricional. Revista interdisciplinar do pensamento científico. 2015.

RIBEIRO, Paulo Guilherme Fereira; DINIZ, Rui Cépil. Plantas aromáticas e medicinais: cultivo e utilização. Londrina: IAPAR, 2008.

SIMÕES, Cláudia Maria Oliveira, et. al. Farmacognosia: do produto natural ao medicamento. Porto Alegre: Artmed, 2017.

 

 

Texto e fotos: Nathânia Frutuoso

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